terça-feira, 19 de julho de 2011

Desterro

Declamo descrevo Desterro
Dentre donzelas, dunas, Daniela.
Dinheiro, dólar, doleiros.
Damas, drogas, diesel, Derby, drinques.
Doses doloridas, dormente, diarréia diária.
Desterro doente. Devorada dragada.
Dupla, dizímo, danos, dinossauros.
Distintivos desdém, diplomatas desdizem.
Ditadores desfilam.
Duques decaedros dizem disfarces.
Dossiê, desvios, documentos, desperdício, deputados.
Desumanos, demos, desclassificados.
Diabos derradeiros, dons daninhos,
Dalilas discretas, Dráculas diurnos, dentes dourados,
Deixaram-te desbotada, descalça, desnuda, desfolhada.
Despetalais dia, dia demasia.
Débeis debocham de Desterro.
Dá-me desejo.
Desconfie deles, Desterro!
Dê descarga, Desterro.
Desterro, deslumbra-me, Desterro.
Deleite de deusa
Desenho dos dedos divinos
Damasco de Deus,
Dardejas dezembros diamantinos.
PS.: Desterro é a atual Florianópolis

3 comentários:

  1. Conheço poucas poesias deste grande poeta. Entretanto, Desterro, com certeza vai ser/é uma poesia impreterível para Florianópolis de grande importância. É uma poesia crítica que relata o que acontece por trás das cortinas teatrais do poderio, suas belezas, enfim, do que realmente passa "despercebido" por nossas retinas dia após dias. ALEXANDRE-PINGO.

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  2. Acho interessante a brincadeira com o "d". Mas, como produto final, o poema não me agrada. Tem um grito de protesto político que não protesta e uma lírica que não representa as paragens da ilha nem de perto. O poema ficou, para mim, encalhado, como uma vontade presa na garganta. Ele está delicado demais para protesto e duro em demasia para a beleza. um grande abraço!
    (Charles Silva)

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  3. O poema Desterro de meu amigo e colega de aula Zé Luiz Amorim não demonstra somente traços de uma maturidade poética para alguém tão jovem, mas condensa a voz libertária e inconformada que aparece na maioria de seus outros poemas. Ao ler "Desterro" não é possível apenas se prender à aliteração das palavras, já que o sentido alcançado por seu derramamento na tela faz com que as próprias palavras se coadunem numa mesma intenção, como se quisessem desterrar-se de uma realidade fracassada que somente a poesia, com toda a sua transgressão e marginalidade, é capaz de conseguir. Salve, Zé! (Rafael Reginato)

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